quinta-feira, março 31, 2011

Curió, major da repressão no Araguaia, é preso em Brasília

Plantão | Publicada em 30/03/2011 às 19h09m
Tatiana Farah

SÃO PAULO - O oficial de reserva Sebastião Curió Rodrigues de Moura, um dos chefes da repressão à Guerrilha do Araguaia, foi preso na terça-feira em sua casa em Brasília durante uma operação de busca e apreensão a documentos da ditadura. Segundo a Superintendência da Polícia Federal (PF) do Distrito Federal, O major Curió guardava em casa armas sem o devido registro. Depois de prestar depoimento à Justiça Federal e à PF, Curió foi levado para o Batalhão de Polícia do Exército, uma vez que é militar.
Os agentes federais e o procurador da República Paulo Roberto Galvão foram à casa de Curió para tentar resgatar documentos do período da ditadura (1964-1985), em especial de sua atuação durante a Guerrilha do Araguaia, no início dos anos 70. Foram apreendidos documentos, um computador e armas que não tinha registro de porte.
O Ministério Público Federal vai submeter o computador a análise em busca de documentos que possam estar digitalizados. Entre os papéis encontrados pelo MPF, estão páginas de documentos antigos com o selo "confidencial". No entanto, o MPF não confirmou se os papeis podem ajudar na localização dos corpos dos guerrilheiros enterrados no Araguaia (TO) durante a ditadura.
Em entrevistas públicas e em depoimentos à Justiça, Curió já disse que o Exército teria executado 41 guerrilheiros no Araguaia. Ao jornal "O Estado de S. Paulo", em 2009, Curió abriu uma mala cheia de papeis em que anotava, supostamente, detalhes de diversas dessas mortes. Os 41 militantes de esquerda teriam sido mortos, segundo ele, fora do campo de combate, quando não ofereciam risco aos militares.
A intenção do MPF ao buscar os documentos é encontrar pistas de onde os corpos foram enterrados. O governo federal já fez buscas, orientadas pelo Exército, para localizar essas vítimas.
_ Era o que precisava ser feito desde a sentença da Justiça Federal, em 2007_ disse Crimeia de Almeida, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos.
Segundo Crimeia, a busca e apreensão é resultado de uma ação movida por 22 familiares de 25 desaparecidos, entre eles, o marido de Crimeia, André Grabois, um dos líderes da guerrilha. A própria Crimeia participou do conflito no Araguaia.
A ação dos familiares da Guerrilha do Araguaia tramita na 1.a Vara Federal Criminal de Brasília. Até o final da tarde, nem o STF (Supremo Tribunal Federal), o STJ (Superior Tribunal de Justiça) ou o TRF (Tribunal Regional Federal) haviam divulgado a entrada de algum recurso para a libertação de Curió. O GLOBO tentou entrar em contato com a família do militar de reserva, mas não a localizou. Um de seus antigos advogados, que ainda não foi acionado por Curió, aformou que o major reformado poderia ter armas sem registro em casa por sua condição de militar, o que não foi confirmado pelo Exército.


Guerrilha do Araguaia: JF/DF ordena busca e apreensão em casas de Major Curió

Major Curió foi prefeito de Curionópolis (PA), cidade que fundou quando esteve em missão no Araguaia

Foto: Reprodução
A 1ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal acolheu pedido formulado pelo MPF/DF e deferiu ação de busca e apreensão em duas residências do oficial da reserva Sebastião Curió Rodrigues de Moura – o Major Curió –, um dos líderes da repressão da Guerrilha do Araguaia (1972-1975).

Conforme informações do MPF, os mandados foram cumpridos nesta terça (29/03) e apreenderam documentos, um computador e uma arma de fogo sem documento. Ambas as casas de Curió são localizadas em Brasília (DF).

A procuradora da República Luciana Loureiro, autora do pedido de busca e apreensão, explicou os motivos da ação contra o major da reserva: “as buscas e apreensões são uma tentativa de localizar documentos que possam revelar o paradeiro de corpos de militantes políticos que participaram da guerrilha do Araguaia”, apontou.

Depoimento
Espontaneamente, Curió prestou novo depoimento à Justiça Federal e ao MPF, ainda no dia de ontem. Após as declarações, Curió foi encaminhado à Superintendência da Polícia Federal, onde foi lavrado auto de prisão em flagrante por porte ilegal de arma.

Sebastião Curió Rodrigues de Moura, ou apenas Major Curió, foi um dos líderes da repressão à Guerrilha do Araguaia. Em entrevista concedida ao jornal “O Estado de S. Paulo”, em 2009, Curió admitiu que pelo menos 41 militantes foram executados após serem rendidos pelo Exército durante a Guerrilha do Araguaia.

Todo o material recolhido nas operações de busca e apreensão na residência do major será encaminhado pela Justiça Federal para análise do MPF/DF.

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