Gafes homofóbicas levam conservadores a perderem apoio entre eleitores gays
Publicada em 28/04/2010 às 02h57m
Fernando Duarte - CorrespondenteLONDRES. Se nas intenções nacionais de voto o Partido Conservador pode culpar o poder de retórica do liberal-democrata Nick Clegg pelo encolhimento de sua vantagem, no caso do voto homossexual, o partido só pode recriminar a si próprio: depois de duas gafes, os conservadores perderam não apenas a liderança entre os eleitores gays, mas despencaram nada menos do que 30 pontos percentuais, de acordo com a enquete do "Pink News", um dos sites voltados para homossexuais britânicos mais conhecidos.
" O problema é maior do que as gafes e passa pelo fato de que Cameron e os conservadores fazem parte de uma aliança no Parlamento Europeu com partidos homofóbicos "
No início do mês, Chris Grayling, porta-voz conservador para assuntos de política nacional, teria causado embaraços a David Cameron, quando jornais divulgaram trechos de uma conversa em que ele defendia o direito a hotéis de recusar casais do mesmo sexo. Ontem, Philip Lardner, candidato conservador ao distrito escocês de Ayrshire, foi suspenso depois de publicar em seu site a afirmação de que a homossexualidade é um comportamento anormal.
Embora Cameron e o partido tenham agido de forma incisiva, o incidente de ontem não poderia ter ocorrido em pior momento. Até bem recentemente, os conservadores pareciam, enfim, estar revertendo uma tendência histórica de desprezo por parte do eleitorado homossexual, com quase 40% da preferência do que a mídia britânica apelidou de "voto rosa".
Na segunda-feira, antes mesmo de Lardner - um professor primário a favor de manter a discussão do homossexualismo fora no currículo nacional - publicar os comentários, o "Pink News" mostrava que, desde junho, os conservadores caíram para 9% na preferência, enquanto os liberais-democratas saltaram de 20% para 58%.
- O problema é maior do que as gafes e passa pelo fato de que Cameron e os conservadores fazem parte de uma aliança no Parlamento Europeu com partidos homofóbicos, por exemplo - explica um porta-voz do "Pink News".
Há também indicações claras de que o "voto rosa" não se deve somente a assuntos diretamente relacionados aos seus interesses. O Partido Trabalhista, que em 14 anos de governo introduziu algumas das mais importantes leis de defesa dos direitos civis para os gays, contava com apenas 29% da preferência do eleitorado em junho do ano passado, e na mais recente medição caiu nove pontos percentuais.
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